Psicologia continua torturando ratos para provar comportamentos que já foram exaustivamente registrados

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Algumas faculdades de Psicologia pararam no tempo e continuam forçando os alunos a torturar ratinhos fazendo-os passarem fome e sede.  Trata-se de um experimento que visa mostrar um condicionamento.  Quando já morrendo de sede, o pobre animal aprende que abaixando uma alavanca receberá uma mísera gota de água. O teste, usado na graduação de Psicologia é chamado de Caixa de Skinner.

“Hoje percebo como o uso de animais na minha graduação em Psicologia foi prejudicial. Nunca me senti confortável com as aulas feitas na ‘caixa de Skinner’. Considero que essa é uma realidade generalizada nos alunos que participam de disciplinas que exploram animais. Quase ninguém gosta de fazer, mas somos induzidos a aceitar tal prática”, comenta Marcos Spallini, formado em psicologia e administrador do blog O Holocausto Animal.

“Fico perplexo com o fato dos experimentos na ‘caixa de Skinner’ continuarem sendo feitos mesmo que os resultados já tenham sido exaustivamente conhecidos e estudados. E apesar de existir metodologia alternativa, com um programa de computador que simula o comportamento do rato, as universidades brasileiras não a adotam. Ainda há uma resistência enorme em abandonar práticas arcaicas da Psicologia”, complementa.

O psicólogo e ativista da causa animal explica que o rato é privado de água durante 48 horas, aproximadamente: “Isso é feito para que o estudante consiga realizar com sucesso o que é classificado de condicionamento operante – uma resposta moldada pelo experimentador, através de reforços (água) e aproximações sucessivas (da barra, até que seja pressionada pelo rato sem a intervenção do estudante). Entretanto, já existe alternativa. Além de ser mais barata, dispensa o uso de qualquer tipo de animal. Sniffy é o programa de computador que simula a caixa. Entre as vantagens, há a possibilidade do estudante continuar o experimento em portáteis. No curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná  (PUC-PR), os alunos já utilizam o método alternativo”.

O criador da caixa de skinner

Burrhus Frederic Skinner nasceu em Susquehanna, na Pensilvânia, em 1904. Formou-se em Psicologia em Harvard e dedicou muitos anos a experiências com ratos e pombos, paralelamente à produção de livros. O método desenvolvido para observar os animais de laboratório e suas reações aos estímulos, levou-o a criar pequenos ambientes fechados que ficaram conhecidos como caixas de Skinner.

Um rato é colocado dentro de uma caixa fechada que contém apenas uma alavanca e um fornecedor de alimento. Quando o rato aperta a alavanca sob as condições estabelecidas pelo experimentador, uma bolinha de alimento cai na tigela de comida, recompensando assim o rato. Após o rato ter fornecido essa resposta o experimentador pode colocar o comportamento do rato sob o controle de uma variedade de condições de estímulo. Além disso, o comportamento pode ser gradualmente modificado ou modelado até aparecerem novas repostas que ordinariamente não fazem parte do repertório comportamental do rato.

Quando sua filha nasceu, Skinner criou um berço climatizado, o que originou um boato de que a teria submetido a experiências semelhantes às que fazia em laboratório. Em 1948, aceitou o convite para ser professor em Harvard, onde ficou até o fim da vida. Morreu em 1990.

 

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5 Comentários

  1. Se existem universidades no exterior e no Brasil que nao usam animais em testes, aulas, pesquisas, é porque outros recursos sao
    igualmente eficientes. Entao os ainda adeptos da crueldade com animais, sao professores, doutores de mente, capacidade deficientes

  2. Concordo plenamente. Entrei no laboratório do Curso de Psicologia no IESB e fiquei altamente tensa, precisei de medicação para poder continuar. Professor, assim como Luiza Menezes afirma, são retrógrados, já deviam ter aderido aos softwares, ou criado outra forma de alunos de psicologia observarem o comportamento. É simples: se não temos que sentar no divã de Freud e conversar com ele, para entender psicanálise, por qual motivo temos que presenciar as experiências do século passado que Skinner e Pavlov criaram, e que na época foram úteis, mas que agora já não são mais?
    E nos informam que depois os ratos são levados para o Zoologico da cidade. Ora, me poupe, e ainda tem gente na sala de aula que acha que vão ser soltos na natureza. Eu sirvo de boca do mal para dizer que não, que vão virar comida de cobra que também está presa torturada para humano ver. Saco cheio da humanidade.

    • mm

      Angélica… vc está correta em dizer que algumas experiências fazem parte do passado, especialmente as de Skinner e Pavlov. Na época até podiam ser aceitas, mas hoje estão obsoletas. Assistir um animal passar fome e sede ensina o que, não é mesmo? Esses experimentos já foram exaustivamente registrados em video, então pra que continuar submetendo os ratinhos a tamanha tortura?

      • Verdade Fátima, obsoletas experiências. Aqui mesmo no site podemos encontrar notícias que a USP não usa mais animais vivos no curso de veterinária? O que os psicólogos querem? A ciência é tão fraca assim que para se auto afirmar precisa de torturar animais para ter validação cientifica?
        Hoje mesmo fui à coordenação do curso, marquei horário com a secretária da coordenação. Eu sou advogada, cientista política, e ainda, passei anos em abrigos de animais resgatando gatos, cães e até cavalos, batalhando para dar vida digna a eles eu sinceramente vou fazer de tudo para não ter que presenciar isso. Por outro lado, fui aconselhada por algumas pessoas a filmar tudo, gravar tudo e depois publicar como forma de ativismo. Estou bem confusa. O sistema que explora animais para pesquisa é muito pesado. Mas eu não vou parar. Tenho certeza que se chegar um coordenador do curso e falar a realidade dos animais de laboratório, metade da turma vai preferir não fazer essa atividade absurda.

        • mm

          Que bacana sua trajetória em defesa animal. Estamos tentando derrubar o uso de animais no ensino e seu relato pode ser importante, caso o queira dar numa ocasião propícia pra isso. Acaba de ser criada na Assembleia Legislativa de SP a CPI de Maus-Tratos contra Animais esse tema de abuso de animais no ensino (não na pesquisa) será um dos temas. Mas repito: vc tem a carta de objeção de consciência a sua disposição. Não precisa fazer as aulas com cobaias. Aqui mesmo nesse site tem uma matéria com uma veterinária que nunca fez uso de cobaias. Ela é hoje uma cirurgiã maravilhosa. Usou outros métodos de aprendizagem.

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