Não se espera que um estudante de Medicina que operou suínos saia operando humanos

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O biólogo Sergio Greif comenta a utilização de cobaias na Educação e também o veto ao PL 706 (Lei Anticobaias no ensino), do deputado estadual Feliciano Filho, que restringe o uso de animais no ensino

O autor d o livro “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável” e  co-autor de  “A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo”, o biólogo Sérgio Greif, formada pela Unicamp, comenta que a utilização de animais no ensino trata-se apenas de reproduzir procedimentos com vistas à demonstração de fenômenos já conhecidos. “Exceto pelos treinamentos que visam conferir aos estudantes habilidades específicas, como o treinamento cirúrgico, por exemplo, a maioria das demonstrações pode ser substituída por vídeos de procedimentos anteriores. A repetição é desnecessária”, diz.

Com relação ao treinamento cirúrgico, ele afirma que existe uma infinidade de métodos alternativos: “Como treinamentos em ambientes de realidade virtual e sistemas táteis que simulam a textura da pele humana e outras características, de forma mais realista do que fazem com porcos ou cães”.

Ele fala sobre a Lei Arouca, que cria regras para o uso de cobaias:

“A Lei 9.605/98 deveria ter extinguido com a utilização didática de animais assim que entrou em vigor, mas a dificuldade de aplicação o impediu. Ao criar a atribuição do CONCEA de monitorar e avaliar a introdução de técnicas alternativas que substituam a utilização de animais em ensino e pesquisa a Lei Arouca engessou a substituição do uso de animais no ensino e pesquisa. É que antes podíamos simplesmente apontar a existência de métodos substitutivos e todos aqueles que não o estivessem empregando, preferindo ainda assim o uso de animais, estariam automaticamente incorrendo em crime ambiental”.

“A Lei Arouca criou um gargalo, pois mesmo que Harvard, a Universidade da Califórnia e o John Hopkins atestem e utilizem determinados recursos como substitutos efetivos no aprendizado de estudantes e muitas vezes até melhores do que técnicas que utilizam animais, enquanto o CONCEA não validar tais recursos, eles não serão considerados”.

“Um dos argumentos apresentados ao governador Geraldo Alckmin na ocasião em que o PL 706 foi vetado, foi que a excelência das universidades estaduais paulistas (USP, UNICAMP e UNESP) se deve à sua preferência pela utilização de animais, ao contrário das universidades federais e particulares que já os vem substituindo. Ora, fosse tal relação verdadeira ela deveria também se reproduzir em outros Estados e países, mas não é o que se observa. Estudantes se formam em faculdades nos EUA, Canadá e Europa muitas vezes sem utilizar animais como recurso didático e não vemos questionamento quanto à sua capacidade técnica”.

“Em reunião que participei junto com o deputado Feliciano Filho e outros profissionais, o governador perguntou se pretendemos que um estudante que apenas operou bonecos já pegue seu diploma e saia operando seres humanos. O Governador, que tem formação médica, provavelmente já sabia a resposta quando fez a pergunta. Também não espera ele que um estudante que operou suínos pegue seu diploma e no dia seguinte já saia operando seres humanos, simplesmente não é assim que ocorre nem isto se aproxima de nossa proposta”.

Sérgio Greif é biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade, professor do IPOG – Instituto de Pós-graduação e Graduação, especialista em gerenciamento ambiental pela ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais. Co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável”, além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. Realiza palestras nesse mesmo tema. Membro fundador da Sociedade Vegana.

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